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A morte é um dos acontecimentos que todo ser humano terá que passar em sua vida. Quando alguém querido acaba por falecer, seja um amante ou um grande amigo, é difícil se recuperar da eventual perda que será sentida e, principalmente, não acredito que depois da morte há vida novamente. Muitos acreditam que há sim lugares paradisíacos e especiais para onde os espíritos das pessoas falecidas vão para finalmente descansarem das complicações da vida terrena. Mas, e se o espírito de um falecido continuasse aqui, entre nós, assombrando casas e aterrorizando pessoas? O que faríamos diante do desconhecido, apesar de que em sua vida ele também fora um humano como qualquer outro?

São questões que estão além da nossa compreensão, sendo que dificilmente saberemos as respostas. Porém, para Lucy Muir, essa coisa de fantasma não existe. Cética e corajosa, ela simplesmente continua a acreditar somente naquilo que pode ver e sentir, mesmo tendo ficado viúva recentemente. Pretendendo se mudar para uma nova casa em que não dependesse de mais ninguém, inclusive de suas parentes que só a desencorajam, ela escolhe uma bela casa, ao lado do litoral, que há muitos anos ninguém mais pisa ou chega perto, por causa da lenda de um marinheiro que se matou e sua alma continua presa no local. Não se intimidando por tais razões, Muir se muda com um excitamento de haver algo realmente sobrenatural na casa, pois há a lenda do espírito de um velho marinheiro chamado Daniel habitar o local, porém mal ela sabe que está diante de maior experiência de toda na vida, seja para o bem ou para o mal.

Passando entre alguns gêneros cinematográficos, essa pequena obra-prima dos anos quarenta praticamente esquecida mediante a tantas obras excelentes que marcaram este período para o cinema, mas ainda se mostra tão bela e encantadora quanto fora lançada. Uma singela história do amor que nunca morre, o filme pode ter sofrido com a passagem do tempo, mas é principalmente pela sua simplicidade que a experiência se torna tão deleitável de se acompanhar, há momentos em que flutuamos naquela trama e a deixamos nos levar para emoções tão verdadeiras que é impossível não se emocionar por toda aquela magia diante da tela.

Começando como um tenso filme de suspense, construindo um clima tenebroso com a visita de Muir a sua nova casa mal-assombrada e depois utilizando de vários truques (sombras, vozes, olhares), logo já pula para outro gênero quando o meio da obra se aproxima. Desta vez, há bastante humor dotado de muita classe e passagens cômicas geniais enchendo a tela, tudo para aliviar aquele clima da primeira parte. Quando o final vai se aproximando, o gênero que prevalece é um romance com toques de drama, juntando aquelas duas almas desamparadas depois de todos os obstáculos num maravilhoso desfecho.

No fundo, é perceptível também as mensagens sobre independência feminina que a obra transparece. Lucy Muir procura sempre não depender de seus familiares e conhecidos tanto para pagar suas contas quanto emocionalmente. Ativa e com uma grande força de vontade, a personagem se demonstra determinada em comprar aquela casa, por maiores que sejam as objeções, e arcar com as conseqüências de suas próprias escolhas. Ela também não se preocupa com os maus olhares das pessoas a respeito de seus relacionamentos amorosos, seguindo sempre o que seu coração manda e não cedendo ao fato da sociedade achar que uma mulher deve estar acompanhada de um homem a todo o momento e, no caso de sua morte, passar a vida inteira chorando pela perda. Com seu desempenho brilhante na película, Gene Tierney parece a atriz perfeita que naturalmente nasceu para o papel, fortalecendo a imagem de Lucy como uma verdadeira mulher.

Uma pequena jóia do cinema, que fica numa transição de clima de assombro leve que se mistura com muita comicidade e paixão de uma maneira brilhante. Formadora de inúmeros clichês sobre filmes de fantasmas, histórias românticas e cenas de humor, é perceptível o grande nível de influência que a obra causou nos filmes posteriores, porém não recebendo os créditos que merecia. Um dos filmes românticos mais inesquecíveis que Hollywood foi capaz de proporcionar até hoje, retratando a história fascinante de uma mulher que nos mostra que é sempre possível amar novamente e passar a acreditar em tudo aquilo em que um dia julgamos meras esperanças.

“A verdadeira felicidade é digna de qualquer risco” – Daniel

Avaliação: 4/5 

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