Tags

, , , , , , , ,

Filmes moderninhos para adolescentes quase sempre são rejeitados pela maioria do público e crítica. Talvez por que sejam ruins mesmo, ou talvez seja um puro preconceito em adotar esse estilo de obra como algo realmente aceitável. Normalmente utilizando de muitos efeitos especiais e visuais arrebatadores pra cobrir os estragos do roteiro, músicas de bandas novas e com ritmo mais frenético, atores bem jovens para que os espectadores possam se identificar e tornar tudo aquilo mais verossímil, uma certa quantidade de apelação e pretencionismo, essas obras acabam por conquistar seu público alvo e cumprir parte de seu objetivo, capturar os jovens.

Todas essas características podem se encaixar no recente “Sucker Punch”, mais um filho de uma linhagem de filmes modernos que visam agradar os menores de idade. Dirigido por Zack Snyder, o responsável por obras como “Watchmen” (2009) e “300” (2006), filmes que não precisam de muita cabeça e necessitam de bastantes efeitos especiais avançados, o diretor acaba por gerar uma obra até comum visto as outras de sua carreira e usa e abusa dos artifícios tecnológicos que tem em mãos para produzir um verdadeiro X-Box 360 cinematográfico, tanto que ao assistir o filme, parece que estamos no meio de um jogo maluco com uma historinha bem mal-feita como pano de fundo, típico dos vídeo-games.

Tudo começa quando uma garota, denominada posteriormente como Baby Doll, é injustamente levada a um hospício onde num intervalo de cinco dias irão fazer nela uma lobotomia e a transformar em uma espécie de zumbi humano. Sabendo que seu tempo de “vida” está com os dias contados, ela cria um mundo virtual em sua cabeça para fugir de sua realidade atual para um mundo onde possa ter total controle sobre ele, indo desde uma vila chinesa até a segunda guerra mundial com muita pancadaria e violência, acompanhada pelas jovens que estão com ela no hospício, criando um grupo de garotas vingativas que irão fazer muito estrago no mundo imaginário criado por Baby.

Em sua composição, a obra é muito irregular. Fica variando em toda sua duração entre cenas explosivas de adrenalina, com muitos tiros, zumbis, samurais, câmera epilética, espadas, decotes, vôos, chutes, adrenalina pura, e cenas muito dispensáveis, que se resumem a todas em que não há pancadaria, ou seja, boa parte do filme. Há bastante papo furado que esfria a obra drasticamente, nunca tornado interessante e muito menos palpável os sentimentos falsos das protagonistas, com dramas muito mal explorados e algumas atuações até constrangedoras. O final é o ápice do roteiro muito forçado, como se o filme quisesse se levar a sério e se auto-promover a algo que nunca será.

É inegável o fato de a obra ter estilo. Além do espetacular visual, feitos com um primor de tecnologia que nos transporta para aquele mundo mesmo que não seja uma viajem tão satisfatória, que é belíssimo de se admirar, também há a trilha sonora vibrante que vai da cantora Björk até a banda Queen, numa diversidade remixada de diversas músicas e ritmos que só aumentam a descarga de energia que o filme proporciona. Típico dos filmes com efeitos especiais avançados, o roteiro também deixa muito a desejar, feito nas coxas mesmo, como se alguém tivesse escrito aquilo como se fosse qualquer coisa só para a obra ter uma base narrativa ao qual possa se sustentar.

Há vários aspectos no filme que primeiramente não fazem menor sentido, mas se refletidos até que são aceitáveis. Pra começar, o fato de Baby Doll se imaginar pertencente a um bordel, onde as garotas são prostitutas e os vilões são seus cafetões, que até tem sua veia de sentido considerando que a garota se sente explorada e completamente ignorada naquele submundo em que ela foi ingressada, mas também tem sua veia apelativa bombando a todo o momento, com as heroínas sempre de mini-saia e decotes lutando contra o mal. Há também um detalhe genial na batalha da segunda guerra, onde espirra gás em vez de sangue nos alemães feridos, uma clara referência à câmara de gás.

Um vídeo-game fílmico que consegue conquistar seu público com toda sua veia moderna e cenas vibrantes de batalhas muito inspiradas, que conta com um ritmo frenético quando tiros explodem na tela e músicas energéticas para os tímpanos alheios, só que nunca vai além. São os tradicionais efeitos especiais e o vazio do cinema hollywoodiano fazendo estrago mais uma vez, e os que saem prejudicados mais uma vez são os jovens, que serão taxados novamente de superficiais e indivíduos que ainda tem muito a amadurecer, somente por caírem na armadilha de “Sucker Punch”, uma maça dourada visualmente belíssima, mas que quando consumida, tem um veneno bem amargo.

Avaliação: 3/5

Anúncios