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“All work and no play makes Jack a dull boy”

Overlook Hotel, Oregon. Um homem comete o assassinato de suas duas filhas e sua esposa com golpes de machado e logo depois acaba com sua vida se matando com um tiro na boca, deixando uma trilha de corpos banhados de sangue nos cômodos daquele hotel. Anos mais tarde, Jack Torrance é encarregado para cuidar do local durante o inverno, que dura alguns meses de pura nevasca. Com sua mulher e seu filho, o qual tem poderes sobrenaturais, ele passará cada vez mais a afundar dentro dos segredos ocultos daquele hotel e perderá gradualmente sua sanidade até chegar ao ponto de cometer as atitudes mais extremas possíveis, carregando um ódio demoníaco e um afiado machado com sede de sangue…

“All work and no play makes Jack a dull boy”

O filme de horror de Stanley Kubrick. Uma das experiências mais aterrorizantes que o cinema já foi capaz de proporcionar, produzida por um dos maiores gênios da sétima arte que imortalizou seu nome na história por fazer de seus filmes verdadeiras obras-primas cinematográficas em sua capacidade de fazer cada obra um ápice fílmico principalmente no gênero em que se encaixa, e com “O iluminado” não podia ser diferente. Criando um dos maiores clássicos do horror moderno, o diretor comprova sua flexibilidade nos gêneros que arrisca e mostra mais uma vez o espetáculo que é capaz de fazer, ao transformar a obra de Stephen King, que já era maravilhosa somente na parte literária, num autêntico épico do terror poucas vezes visto na história.

“All work and no play makes Jack a dull boy”

Climático até a última gota de sangue. Entramos nos corredores daquele hotel maldito e começamos a fazer parte da loucura oculta e horror implícito que lá reside, somos tomados pelo medo e paranóia quando nos vemos caminhando no mesmo destino dos personagens, perdidos e isolados entre as paredes longas e brancas, os cômodos vazios, a fotografia fria, o ambiente gélido com nevascas e montes de neve tampando as possíveis saídas, arrepios, calafrios, membros decepados, gritos distantes, fantasmas perturbados a cada porta que se abre… O Overlook e toda sua insanidade finalmente se tornam reais na visão esplêndida de Kubrick e nos olhos dos espectadores.

“All work and no play makes Jack a dull boy”

Pessimismo em cada cena perturbadora. Kubrick usa do hotel como base de inúmeras interpretações e sentidos que proporcionou serem extraídas de sua obra, ao fazer dos personagens e situações alegorias depressivas para uma sociedade sombria. Segredos e mortes ocultados numa imensidão de hipocrisia e mentira, que podem transformar do mais bom homem o mais cruel psicopata. O Overlook se transforma num personagem interagindo com os outros e proporcionando as mais diversas sensações de onipresença do oculto, do desconhecido. Jack Torrance torna real o sentimento de medo e desespero por ser a personificação de que não há ninguém a que se possa confiar e de total loucura de uma pessoa considerada “normal”, que se revela a si mesma e aos outros um ser diferente do esperado, no sentido depreciativo da frase. A cena do homem vestido de urso fazendo sexo oral num hóspede do local revela que se acabou a inocência e pureza no local, cedendo espaço para a promiscuidade, violência exacerbada, imoralidade. A criança iluminada seria a única esperança de salvação.

“All work and no play makes Jack a dull boy”

O deslumbre macabro. A inspiração vista em cada cena memorável do pesadelo banhado à sangue, com uma direção kubrickiana épica em cada criação de cenário e atmosfera, a cada idéia metafórica que é plantada na obra com sua mente perturbada e magnífica. Jack Nicholson desempenhando um dos maiores papéis de sua carreira, refletindo o seu domínio sobre o personagem e o domínio do personagem sobre ele, um olhar de sua fúria violenta é capaz de nos trazer ao mais macabro dos sentimentos. Shelley DuVall como a esposa enlouquecida gritando a cada horror que é obrigada a presenciar,correndo com uma faca pelos corredores do hotel enquanto prova seu talento. A trilha sonora arrepiante e memorável em suas notas obscuras, os sons bizarros onipresentes a um volume quase inaudível, os sussurros e gritos quem enchem a atmosfera e o filme em si de um terror palpável jamais visto.


“All work and no play makes Jack a dull boy”

A exploração dos medos humanos. A obra suga para si os receios macabros que residem no escuro do nosso subconsciente e os lança impetuosamente contra o espectador, um espetáculo brutal e assustador. Talvez a hipótese de ser assassinado a sangue frio por um membro da própria família, que deveria fornecer segurança e conforto, mas entrega justamente o contrário, ao ponto de colocar um homem destruindo a porta do banheiro onde sua esposa grita de horror armada com uma faca, com machadadas ferozes de uma perturbação retraída. O receio de fantasmas e monstros, escondidos a cada quarto empoeirado num silencio mórbido, apenas esperando para nos levar a beira da loucura. Principalmente, o medo daquilo que não podemos controlar, evitar, só esperar enquanto o prenúncio da morte sussurra em nossos ouvidos.

“All work and no play makes Jack a dull boy”

A imagem de Jack Nicholson destruindo a porta á machadadas e enfiando sua cabela no buraco feito, com seu olhar completamente doentio e seu sorriso diabólico, é provavelmente tudo aquilo que o filme representa. Não por ser uma das cenas mais famosas da história do cinema, mas por causar real intimidação, choque e perplexidade de uma obra inegavelmente genial. Um violento marco terrorífico na vida de todos que já puderam presenciar essa experiência única, uma obra magnífica em tudo o que se propõe, nas atuações que desempenha, na direção impecável que demonstra, se consolidando uma obra de arte sombria e pessimsta no melhor estilo de seu autor. O grande épico do horror.

“Here’s Johnny!”

Avaliação: 5/5

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