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A Disney tem o costume de pegar lendas e histórias antigas e remodelarem com novas fórmulas de sucesso e direcionar elas para um novo público, principalmente as crianças e os jovens que iam ao cinema em busca de uma grande animação antológica que se iguale as outras feitas pelo estúdio, como “Branca de neve e os sete anões” (1937)e “Cinderela” (1950). Mas com o passar do tempo essas formulas clássicas foram se desgastando, os contos de fadas foram perdendo seu encanto e inocência para um público atual e que busca prazer bem mais rápido, o que originou recentemente filmes que valorizam ação e comédia e até uma boa dose de auto-paródia em sua trama.

Seguindo essas transformações de seu público, o estúdio procurou uma forma de mesclar o clássico, com princesas, bruxas e os velhos clichês de contos de fada, com o moderno, valorizando muito os efeitos técnicos e o humor que enchem a tela de referências e os bolsos dos produtores de dinheiro. Assim surgiu o mais novo filme da empresa “Enrolados”, intitulado como a qüinquagésima animação dela, originário dessa nova fórmula que vem atraindo milhões de pessoas para as salas de cinema, visto o grande sucesso da tetralogia “Shrek” (do estúdio rival, Dreamworks) e outras animações contemporâneas.

A história é aparentemente manjada, já que se trata do popular conto da Rapunzel: Uma linda princesa foi seqüestrada e trancada numa enorme torre, desde criança, por uma bruxa maléfica que penteia seus longos cabelos loiros, cujo é dotado do poder do rejuvenescimento, enganando a jovem para usá-lo como benefício próprio e escondendo as marcas de sua idade avançada. Quando um belo príncipe chega até o local, ele sobe pelos cabelos até o alto da torre sem saber que lá mora a tal moça, mas o destino dos dois estava traçado naquele exato momento.

As diferenças dessa trama e de um tradicional conto de fadas são logo perceptíveis, com uma Rapunzel mais alegre e sem a grande ingenuidade que as princesas clássicas possuem, uma madrasta muito bem humorada e bela para os parâmetros das vilãs, um príncipe atrapalhado que está se escondendo das autoridades, indo para a torre com nenhuma intenção de conhecer e muito menos salvar a princesa. São mudanças significativas na trama em que buscam agradar ambos os sexos e possivelmente várias idades, apesar de que quando se aproxima do desfecho, cai em alguns clichês que realmente não precisavam ser incluídos, vista a qualidade e originalidade da história até aquele ponto.

As metáforas sobre a independência e o amadurecimento de Rapunzel só enriquecem mais a trama. A princesa viveu a vida inteira na torre e sobre as asas da madrasta superprotetora, que a convence que o mundo lá fora é cruel e de pessoas ruins, deixando-a insegura e despreparada pra enfrentar a vida fora de casa. Quando ela finalmente sai da torre com Flynn, fica confusa entre sentimentos revezados de alegria, neurose e tristeza, uma cena bem cômica, mas que traduz a mente que qualquer jovem que tenha se mudado da casa dos pais e esteja procurando uma vida autônoma. Aliás, Flynn é primeiramente mostrado como um aproveitador, um marmanjo atrapalhado que acabou encontrado a princesa por acaso e não está nem ligando para as suas emoções, mas com o decorrer do relacionamento, os dois acabam se apaixonando e Rapunzel vê que a vida fora da torre é mais bela do que imaginava, transparente na cena em que ela se diverte com os brutamontes do bar, que antes eram vistos como rudes, mas se revelaram sensíveis e de bom coração.

Além de originar uma nova princesa, os personagens criados são bastante divertidos. A graciosa Rapunzel é muito formosa e bondosa, conquistando os espectadores por sua alma sonhadora, Flynn é muito simpático, apesar de ter tem parte de seu carisma prejudicado pela péssima dublagem de Luciano Hulk, ainda se sobressai das escolhas técnicas ruins, Madame Gothel é muito charmosa e consegue ser uma boa vilã, apesar de não ter tantos atos maléficos, o camaleão Pascal e o Cavalo Maximus parecem ter vindo de uma fábula qualquer, mas são eles que garantem uma boa dose de risada no longa.

Como não podia deixar de ser, as músicas são magníficas e muito caprichadas. Feitas especialmente pra momentos específicos do longa, todas entram no momento certo e são um deleite de acompanhar. A mais tocante com certeza é “Vejo Enfim a Luz Brilhar”, cantada pelo casal principal quando estão no barco iluminados pelas lanternas, mas outras também merecem o devido destaque, como as alegres “Um sonho eu tenho” e “Quando minha vida vai começar”, ou a canção “Sua mãe sabe mais”, que a madrasta canta pra Rapunzel, que resume os pensamentos dela sobre as decisões da princesa de sair da torre. A qualidade técnica da animação também é muito boa, com uma computação gráfica de primeira linha, exibindo cenários coloridos e muito caprichados, tendo detalhes visíveis que a tornam ainda mais viva. A obra tem um estilo cativante, que vai desde a composição dos ambientes até os traços característicos dos diferentes personagens em tela, visto que cada um tem formatos diferente que tem semelhanças com as suas peculiaridades.
Uma grande animação da Disney, que volta com todo vapor aos filmes que a tornam tão famosa e prestigiada, uma linda história infantil com muito conteúdo jovem, uma obra que está destinada a se tornar clássica que nem as outras maravilhosas da empresa, um extraordinário passo moderno com relação aos contos de fadas, é o típico filme tão encantador e bonito que daqui a alguns anos todos saberão ele todo de cor, além de apresentar uma maravilhosa nova princesa que em breve estará na estampa de muitas mochilas e lancheiras nas escolas, mas principalmente, entrará para o seleto grupo das melhores princesas do estúdio.

Avaliação: 4/5  

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