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O slasher é, provavelmente, o mais famoso de todos os outros subgêneros do terror. Mesmo que seja meio “recente”, pois surgiu no começo na década de setenta, arrastou e continua arrastando milhões de pessoas, principalmente jovens, ás salas de cinema nos quatro cantos do mundo. A simples premissa de ver um serial killer esquartejando suas vítimas, na grande maioria adolescentes, atrai a curiosidade do público e garante que esse subgênero renasça diversas vezes após ser terrivelmente desgastado. Um dos primeiros slashers definitivos e precursor dessa raça cinematográfica foi “Sexta-feira 13”, que aproveitou do sucesso de outros filmes somente para êxito comercial, mas acabou virando um clássico do terror e conquistando uma legião de fãs. Impulsionados pelo destaque que “Halloween” (1979) estava tendo na mídia, o diretor Sean Cunningham e o escritor Victor Miller caçaram logo fazer um filme que se assemelhasse á obra-prima de John Carpenter, procurando atores jovens e desconhecidos e alguma locação que parecesse assustadora e climática, e tentaram fazer a sua versão do clássico, o que tomou proporções bem maiores do que pensavam.

A história todo mundo já sabe: Um casal de jovens é assassinado no acampamento Crystal Lake, o que faz o lugar ficar fechado por muito tempo. Uma equipe de monitores volta ao local onde tudo aconteceu para tentar abrir o acampamento novamente, usando o tempo livre para se divertirem e fazer amor, mas não suspeitavam que alguém a mais estaria presente. Sedento por vingança, o assassino irá matar um por um até completar seu objetivo.

O roteirista Victor Miller adaptou as tramas de slashers anteriores numa versão onde só a locação e a revelação do assassino são diferentes dos demais. Apesar da falta de originalidade, o roteiro foi muito importante, pois firmou um campo seguro para que outras obras pudessem seguir o mesmo caminho e ditou os clichês que até hoje são desgastados incessantemente, como os desvirginados e drogados morrerem primeiro, um maluco (Crazy Ralph) avisar sobre os perigos do local, o grupo se separar pra procurar alguma coisa e é morto, a protagonista correr o filme inteiro pra só no final tomar coragem e matar o assassino, entre outros. Porém, foi o diretor Sean S. Cunningham que foi o grande responsável pelo sucesso do filme. Sua direção dá um clima de horror à obra magnífico, além de conseguir uma boa estrutura equilibrada até chegar ao ótimo clímax, ofuscando os eventuais erros.

As atuações realmente não são destaque no filme. Adrienne King é meio desleixada nos momentos de terror e às vezes não convence, Betsy Palmer (que só aceitou fazer o filme por que achou que o roteiro era um lixo e logo seria esquecido) faz uma performance quase teatral, mas consegue dar alguma dignidade a Pamela Voorhees, e Kevin Bacon não dá indícios que seria um grande ator, até porque o papel não permite devido suas limitações, então fica no mesmo nível que o resto do fraco elenco.

O filme conta com efeitos a frente de sua época, feitos principalmente pela excelente maquiagem de Tom Savini, que já tinha trabalho nisso antes com alguns filmes de George Romero, o que fica visível nas mortes dos personagens, em especial no assassinato de Jack, que chocou o público da época de tão boa que foi, e na decapitação de Pamela, em que foi produzida uma cabeça de mentira só pra cena ser feita. A fotografia é boa, mostrando as florestas e o lago que dão beleza ao acampamento em meio a todo aquele horror. Uma boa parte das mortes é filmada em primeira pessoa, em que é possível ver a sombra ou alguma parte do corpo do assassino, como se o público fosse ele, intensificando mais a chocante experiência. Além de tudo, a trilha sonora virou um clássico. O uso de notas finas de violino conjuntas aos sons eletrônicos se adequou bem ao clima macabro do filme e provoca muita tensão quando junto a cenas de maior tensão; a música tema dos filmes foi uma combinação e edição da fala “Kill Her Mommy!”, que acabou gerando um “ki ki ki ma ma ma” sinistro. 

 Hoje, a série é cultuada por milhares de fãs e está marcada na história do cinema de horror. Em sua época de lançamento, os envolvidos apenas esperavam que o filme fosse bom e retornasse o investimento feito, mas acabou caindo no gosto do público, principalmente nos adolescentes dos anos 80, o que originou uma série interminável de filmes que desgastaram a história e fizeram-na tomar rumos ridículos, como “Jason X” (2001) e “Jason Vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira” (1993), só pra lucrar em cima da fama conquistada.

Além de ter sugado muitas coisas de “Halloween” e slashers anteriores, seja no enredo, nas mortes ou em outras características, também sugou alguns traços de “Psicose” (1960), como a idéia da mãe assassina revelada somente no final e o locação isolada onde seria bastante difícil qualquer tentativa de fuga. Apesar de Pamela Voorhees ser a primeira assassina da série, seu filho Jason é que deu continuidade ás matanças a partir do segundo filme, se tornando um ícone do cinema de terror devido a sua imortalidade e brutalidade no assassinato de muitos personagens.

Uma obra modesta que acabou virando um clássico do terror oitentista, que definiu novos parâmetros e clichês para os filmes seguintes, que mesmo não funcionando mais como um filme realmente assustador, ainda continua divertido e climático. Um dos melhores slashers já feitos, que copiou e é copiado, marcado para sempre na memória dos fãs mais fiéis do gênero. Mas foi só o início de uma das maiores sagas do cinema e contagens de corpos já feitas, se no primeiro foram mortas somente dez pessoas, nos seguintes foram centenas de vítimas para os facões afiados do imortal Jason Voorhees!

Avaliação: 4/5 

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