Tags

, , , , , , , ,

Um casal de noivos fica preso no meio da estrada por causa de um problema mecânico no carro e acaba tendo que pedir ajuda aos moradores de um enorme castelo, o único sinal de vida pelas redondezas. Chegando lá, são recebidos por um estranho homem corcunda e são convidados a entrar, mas o que eles vêem quando adentram é algo inacreditável. Uma festa de alienígenas transexuais da Galáxia Transilvânia está sendo feita no local, em que o anfitrião é um cientista transexual bissexual maluco que criará um homem com o único objetivo de aliviar sua tensão sexual.

Após ler esse pequeno resumo da obra, muitos o julgam sem mesmo o ter visto. Mas não se enganem, apesar dos absurdos do roteiro e dos exageros visuais, é um filme alucinógeno, divertido e bizarro no melhor sentido da palavra. O roteiro é muito feliz em mesclar tanta esquisitice, como travestis cantores, pessoas que viram pedra, uma leve perversão sexual, numa mistura muito bem feita e conduzida, proporcionando momentos genuinamente loucos e divertidos. A história até que segue uma ordem cronológica, é harmônica em seu desenrolar e plausível no mundo que cria.

 Os personagens são tanto originais quanto esquisitos. Riff Raff e Magenta são um casal estrambótico e até assustador, Brad e Janet são engraçadíssimos por sua ingenuidade e transtorno com a situação, Eddie consegue ser divertido mesmo com sua aparição mínima, Rocky Horror é puro e néscio, mas quem realmente rouba o filme é Dr. Frank-N-Furter, o anfitrião da festa extremamente desequilibrado, extravagante e tarado, o que fica evidente em suas atitudes, falas, roupas, maquiagem, seus inúmeros exageros que enchem a tela quando ele se faz presente.

Apesar de ser uma homenagem aos filmes de ficção científica e suspense antigos, como “Planeta proibido” (1956) e “Frankenstein” (1931), principalmente no contexto de se criar um indivíduo vivo, com uma sátira ácida aos musicais feitos até aquela época, a película consegue sua parcela de originalidade, seja por seu atrevimento ou por sua audácia em abordar temas polêmicos de forma tão divertida e despreocupada.

O grande destaque da película é sua trilha sonora, costumeiro em filmes musicais. As letras são animadas e divertidas, com muita ousadia e sensualidade em sua sincronia. Faixas como “Time Warp” e “Whatever Happened to Saturday Night?” são clássicos cantados até hoje, outras como as sensuais “Touch-a, Touch-a, Touch me” e “Science Fiction” ou a divertidíssima “Sweet Transvestite” ainda são lembradas,o que eleva o filme a um nível espetacular de músicas que de tão energéticas, se tornam inesquecíveis.

 O elenco está bizarramente divertido, Susan Sarandon e Barry Bostwick estão cômicos e bem nos papéis que representam, Tim Curry entrou fundo no espírito do personagem e criou uma das figuras mais extravagantes da década de setenta. Tudo é muito chamativo, extrapolado. A direção de Jim Sharman é eficiente e alucinada, a todo tempo os personagens estão cantando ou fazendo coisas muito bizarras, dando ao filme um ritmo agitado que poucas vezes parece esfriar. A maquiagem exagerada, os efeitos toscos e toda a histeria e falta de lógica se juntam aos diversos mais fatores para formar um espetáculo sexy de multiplicidade de orientações, um misto prazeroso de sonhos e pesadelos situados nos mais estranhos cenários e mais improváveis situações.

Seu estilo bizarro e obscuro, com personagens estranhos e momentos anti-convencionais, seu baixo custo de produção (em torno de 1,2 milhões de dólares), sua trilha sonora eufórica e provocante, seu fracasso de bilheteria na época em que foi lançado e taxado como um filme descartável, fez com que angariasse uma legião de fãs devotos (principalmente na Europa, que possui cinemas que abrem sessões especiais somente para o filme, como por exemplo em um cinema de Munique que está em cartaz desde o seu lançamento, no recorde mundial de maior tempo de permanência, sendo exibido nas sessões de meia noite), que se reúnem pra ver o filme, cantar as músicas junto aos personagens, se vestir igual eles, dançar as coreografias, interagir com a película de uma forma que só um filme enlouquecido como esse podia fazer, ganhado uma nova repercussão e críticas mais favoráveis.

Um pequeno clássico da década de 70, marcada pela enorme quantidade de filmes com temas antiéticos e tabus, o que nesse não foi diferente. Um musical inovador e desvairado com faixas imortais, que aparentemente só melhorou com o tempo. Um filme cult de primeira linha que ainda marca presença. Uma obra que há 35 anos continua pulsando enlouquecidamente em suas veias toda sua euforia lunática que está longe de morrer.

Avaliação: 4/5 

Anúncios