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Há momentos na vida de muitos atores consagrados de Hollywood que eles passam a receber cada vez mais roteiros fracos e filmes inúteis em suas mãos, como por exemplo, Nicolas Cage, que varia entre o bom e o terrível, no pior sentido da palavra. Alguns realmente acreditaram no filme e em todo seu potencial, mas quebraram a cara; outros são obrigados pelos seus agentes a estar presentes no filme, as vezes sem nem saber a história ou pessoas envolvidas; o resto fecha contrato esperando a hora de colocar as mãos interesseiras no salário milionário que irá para os seus bolsos.

Fica difícil saber qual a alternativa que Denzel Washington se encaixa nas categorias citadas. Seus últimos trabalhos não são obras abomináveis, mas estão deixando muito a desejar. Foi o que aconteceu com “O livro de Eli” (2009), fraco filme com pretensões religiosas escondidas, e com “O Seqüestro do Metrô” (2008), filme descartável em que trabalhou com o diretor Tony Scott, que mais tarde trabalharia com ele novamente no recente “Incontrolável”, mais um filme dispensável em sua carreira.

A história do filme se resume a dois homens, um jovem maquinista e um engenheiro experiente, que ficam incubidos de parar um trem com vários vagões que carregam uma substância tóxica que pode destruir parte de uma cidade. Começa então uma corrida contra o tempo pra evitar a catástrofe e salvar seus habitantes, antes que o plano saia dos trilhos. A desculpa de ser inspirado em fatos reais já leva muita gente pro cinema, mas se esquecem que nem sempre uma história verídica é sinônimo de um bom filme.

O roteiro é algo tão básico e superficial que não empolga em nenhum momento. Os eventos que acontecem são uma simples reciclagem piorada de filmes como “Velocidade máxima” (1994), os personagens não tem nenhum aprofundamento, o roteiro até tenta dar uns toques de humanidades pra eles apresentando suas famílias, que são mal exploradas e só servem pra aumentar o elenco fraco, além de não terem o carisma necessário pra que torcemos por eles, o que sobra são os desgastados clichês dos filmes de ação, muitos coisas explodindo sem ser necessário e nada dar certo até o mocinho ir fazer a mesma coisa e conseguir. Pra piorar, o roteiro tem buracos visíveis se analisado com mais atenção. Por que não enviar outro maldito helicóptero e fazer outra tentativa pra parar o trem desgovernado?

 As atuações também não merecem nenhum destaque, o desempenho fraco dos atores é amenizado pela montagem ágil do longa. Rosario Dawson interpreta a pessoa estressada que tenta ajudar e dificilmente consegue alguma coisa, Denzel interpreta o engenheiro durão com problemas com as filhas importunas, Chris Pine interpreta um mecânico casado e com filhos, os dois tem coisas a perder caso tudo de errado, mas ninguém está ligando realmente pra isso, nem o roteiro, nem quem vai ver o filme, que na maioria das vezes só quer ver acidentes e movimento.

Aliás, movimento é o que o filme tem de sobra, no contexto técnico da obra. A câmera e o ritmo do filme estão sempre em movimento, com pequenos zooms nos enquadramentos das faces dos personagens, dando um tom quase que documental, tomadas rápidas e apressadas, sendo difícil ver uma que não sofra cortes em questão de segundos, aliás, o filme sofre de uma abundância de cortes que o torna tão movimentado que causa tontura e náuseas de tanto deslocamento. A trilha sonora grave e pulsante ajuda em algumas horas, mas o resto da sonoplastia cansada (muitos barulhos de uma vez) arruína o que a trilha tentou montar. Nas cenas de ação filmadas pode se encontrar a mesma maldição que assola os filmes tradicionais de ação: a câmera epilética que impede de ver o que está acontecendo, o que prejudica bastante essa parte técnica peculiar do filme, que é são grande destaque. Ter uma estrutura que nem essa é evidentemente uma faca de dois gumes, pois ao mesmo tempo em que tem um ritmo ágil, também só se concentra nisso, esquecendo o resto dos detalhes.

Feitos aos moldes de “Supercine”, esse filme representa uma queda incontrolável nos filmes de Denzel e uma direção que literalmente perde os freios nas mãos de Scott. Até pode atingir seu público-alvo, os que gostam de qualquer filmes de ação e esquecem ele inteiro logo após de se levantar da cadeira, dando uma certa diversão passageira. Mas problema é que se fosse esse o tipo de filme que movimentasse o verdadeiro cinema, ele já estaria estagnado há muito tempo.

Avaliação: 2/5

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